Lareiras

Oficialmente, estamos no outono.

Mas o inverno já deu a senha da sua temporada: vento congelante!

Diante deste cenário, estão Dan e Dino na sala:

– oh! Dino, que diacho de programa é esse na televisão que só passa uma fogueira?

– Não é televisão, é uma lareira digital.

– Mas é o fim dos tempos mesmo. A criatura passa o tempo todo assistindo a brasa se queimar numa tela, passando um frio de bater o bico. Isso não esquenta nem pensamento!

– Tá bom, Dan, vou ligar a calefação. Já está em tempo mesmo, senão a casa começa a ter fungo.
Ave Marina! Eu com as asas congelando e o danado pensando nos fungos da casa, pensa Dan.
Dan vai à cozinha e Dino fica na sala preparando a lareira.

Quando Dan volta para a sala, a lareira já está acesa. E Dino está lá fora pegando mais lenha.

Quando ele retorna, entra em choque:

– O que tu estás fazendo, Dan?

– Cozinhando, oras!

– Como cozinhando, isto é uma lareira!

– Oxente, cadê o discurso da sustentabilidade, do gasto de energia consciente, do pato a quatro?

– Mas aqui não é uma cozinha, é uma sala e isto não é um fogao à lenha!

– Não tenho culpa de vocês não terem projetado a casa de forma mais eficiente. Come, enquanto tá quentinho: tem milho assado, churrasquinho de queijo, e dentro daquela tigela de barro tem um mungunzazinho delicioso!

– Mas aquela tigela foi lembrança da minha primeira viagem à Afrika.

– Ótimo, agora é que o mungunzá tá gostoso mesmo! As lembranças aguçam o nosso paladar!

– Mas ela era só decoração. Diz Dino todo choroso.

– Come de coração, senão faz mal, heim! Diz Dan em tom de ameaça.

– Quando é mesmo que tu vais voltar para a Papagaiolândia?

– Não sei, pois acabei de ter uma visão de um nincho de mercado promissor. Afinal de contas, de quentura entendo eu! Diz Dan batendo a mão no peito e colocando mais lenha na fogueira.

De repente, olha pro Dino, e o pinguim está suando mais que pano de cuscuz, tendo condições apenas de dizer:

– Traz um balde de gelo pra eu cair dentro, por favor, tô derreto!

Nisso chegam a polícia, o bombeiro e a ambulância. Alguém da vizinhança os tinha chamado, porque percebeu uma fumaça suspeita vindo da casa do Dino.

Dan fica bicoaberto: oh! Povo exagerado. Um churrasquinho e já faz esse alarde todo. Olha que não era nem de gato, senão estariam transmitindo até ao vivo pela TV.

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