Mulheres, nosso dia é todo dia!

Como migrantes, nós mulheres, podemos viver sob a pressão de deportação, pois ter a permissão de residência acoplada ao relacionamento é viver na incerteza de morar no país que se escolheu.

Obviamente, há pessoas que, por preencherem certos requisitos, como conhecimento do idioma, trabalho remunerado e certo período de anos residindo no país, obtêm o título de residência permanente. Mas isto não é garantia de permanência, pois o título deve ser renovado a cada 5 anos. Para tanto, há de se cumprir também certas exigências. As políticas de migração estão cada vez mais anti-migração.

Para mães migrantes, esta situação pode ser ainda mais dramática. Um divórcio pode significar a perda da residência no país e, consequentemente, a perda da guarda de suas crianças. Isto não é regra, calma. Escrevi “pode”. Procure auxílio jurídico, caso queira saber sobre o seu caso. Lá embaixo, deixo links para centros de apoio na Áustria, Alemanha e Dinamarca. Se alguém quiser me informar outros lugares, agradeço a gentileza.

Mas voltando, alguns homens utilizam esta situação de poder e ameaçam as parceiras.

Por isto também muitas mulheres sofrem violência doméstica caladas anos a fio, esperando preencher os requisitos para solicitar o título de residência independente do estado civil e, finalmente, se divorciarem.

Outras permanecem uma vida inteira em relacionamentos abusivos, pois os requisitos para a carta de alforria são quase impossíveis de se preencher.

Exemplo de um requisito seria ter conhecimentos do idioma oficial do país residente. Quem sofrendo abuso, violência, pressão, sem conseguir dormir direito tem condição psicológica de se concentrar para estudar?

Outro requisito seria, por exemplo, ter um trabalho remunerado e em tempo integral por no mínimo nos últimos 4 anos, quando da solicitação do título de residência permanente.

Algumas mulheres vivem em cárcere privado. E isto é manifestado em diversas nuances, desde um controle mascarado “você não precisa trabalhar fora, não precisa aprender o idioma” até a proibição explícita mesmo.

Além de outros fatores, que tornam a dissolução de um relacionamento abusivo muito difíceis, como dependência financeira ou psicológica, vergonha de ter “fracassado” no matrimônio, pressão da família etc.

Hoje, 8 de março, é o dia internacional das lutas das mulheres.

Há lutas privadas e coletivas.

Para quem luta sozinha, quero deixar meu pensamento de acolhimento.

Não lute sozinha, procure apoio psicológico, jurídico, tome um café com uma amiga.

Se você conhece alguém nessa situação, chame-a para tomar um café. Se ela quiser falar sobre, escute com os ouvidos e com o coração, ou seja, com atenção e sem julgamentos. Você não tem que solucionar nenhum problema, você deve estar lá para escutá-la e acolhê-la. Às vezes, organizamos nossas ideias falando, outras vezes queremos colo mesmo.

Se você está nessa situação, aceite o convite ou faça você mesma um àquela pessoa que você sente afinidade.

Nesse dia da luta da mulher, penso nas mulheres que lutaram e lutam por um mundo mais justo. Penso nas mães, na minha e nas das migrantes. Penso em mim e nas minhas amigas. Penso na minha filha, nas filhas das minhas amigas. Penso nas filhas das minha filha e nas de suas amigas.

Sigamos lutando por equidade e justiça, lutando contra discriminação, contra racismo, contra homofobia, contra sexismo, contra xenofobia, contra classismo, contra machismo e contra sistemas opressores sempre! Para que as filhas, as netas, as tataranetas do nosso tempo não apenas acreditem, como vivam uma realidade onde nossas reivindicações atuais sejam um absurdo inimaginável. Assim como nos é hoje o direito a voto ou a trabalhar sem pedir permissão ao esposo.

O 8 de março é todo dia!

Danielli Cavalcanti

Foto: Nicole Adams

Para apoio psicológico e jurídico:

Na Áustria:

Frauenhäuser

Na Alemanha:

Frauenhäuser in Deutschland

Na Dinamarca:

Moedrehjaelpen

Dkkrisecenter

Voldmodkvinder

Na Inglaterra:

Retirei este trecho do Portal Brasileiras pelo Mundo, vale muito a leitura da entrevista com uma brasileira vítima de violência doméstica.

” Caso você, que estiver lendo, esteja passando por uma situação semelhante, na Inglaterra,  ou conhecer alguém, entre em contato com a LAWRS ou a  Casa do Brasil em Londres. Eles oferecem apoio psicológico e podem conseguir acomodação segura para você e o seus filhos, se houverem. As organizações mencionadas acima são extremamente cautelosas, possuem profissionais especializados em assuntos como violência doméstica e estarão prontos a ajudar.”

Ainda com a gentileza do portal Brasileiras pelo Mundo repasso aqui a lista de Associações de apoio às mulheres pelo mundo

 

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