Cidadania por ius affectis

E se a aquisição de cidadania fosse com base no critério ius affectis?

O critério de ligação afetiva, no âmbito da atribuição da nacionalidade requerente, justifica-se por constituir o aspecto primordial para se viver em um país: aprender a amá-lo, a partir da participação ativa na sociedade, vivenciando os espaços, as cores,os cheiros, os sons, as vidas que o compõem, contribuindo para seu progresso e para o bem-estar da população, admirando suas belezas e defendendo-se de suas fealdades, pois ser cidadã é viver a cidade, é experimentar a interrelação entre a cartografia dela com a nossa própria biografia.

 

As leis do país residente tentam forçosamente dançar o tango da migração, mas conseguem, no máximo, saltitar uma coreografia básica de aeróbica!

 

Portanto, para facilitar a aquisição de cidadania por ius affectis, segue abaixo uma lista de critérios, os quais a pessoa requerente deverá comprovar, com base nas experiências e nos conhecimentos adquiridos na cidade (re)querida. Fique à vontade para moldar uma lista de acordo com os seus critérios afetivos.

Critérios ius affectis:

I – Conhecimento de variedades linguísticas das seguintes expressões: saudações e manifestações de sentimentos. Obrigatoriedade: saber expressar-se claramente em, no mínimo, uma palavra de baixo calão!

 

II – Participação em no mínimo uma dessas manifestações na cidade requerida: batizado, crisma, festa de Ramadão, comemoração do ano Chinês, Judeu, Afegão, festa budista, hinduístas ou de quaisquer outras religiões, formatura, casamento, festa de aniversário ou no funeral de alguma pessoa moradora da cidade.

 

III – Participação em entrevistas de emprego, cursos ou trabalhos voluntários.

 

IV – Participação em festivais de rua da cidade, seja como espectadora ou artista

Singularidade: havendo participação em demonstrações públicas de pautas feministas, antiracistas, antihomofóbicas, pró natureza adquire-se o título adicional persona gratissima.

 

V – Conhecimento de prestadoras de serviços especializados, tais como: reforma de roupas, sapateiro, chaveiro, encanação, babás e conserto de bicicleta.

 

VI – Conhecimento de pontos de vendas de especiarias de outros países e produtos regionais

 

VII – Experiência de compras ou venda em um mercado de pulga ou bazar de antiguidades

 

VIII – Experiência em prestação de informação a alguém na rua sobre algum logradouro ou ponto turístico

 

IX – Experiência com deslocação via todos os meios de transportes disponíveis na cidade

 

X – Encontrar-se, espontaneamente, com pessoas conhecidas na rua da cidade

 

XI – Ter contemplado paisagens da cidade em diferentes estações do ano

 

XII – Saber indicar um Café ou um restaurante

 

XIII – Saber onde comprar, no comércio local, seus produtos favoritos

 

XIV – Ter esperado por alguém em uma estação de trem ou um portão de desembarque

 

XV – Ter recebido e enviado cartas

 

XVI – Ouvir rádio local

 

XVII – Ter a frequência mínima de cinco idas a um consultório médico, hospital, farmárcia, templo religioso ou bar

 

XVIII – Ter comprado, no mínimo, uma arte de uma artista local

 

XIX – Ter desejado feliz ano novo ao menos a uma pessoa desconhecida no ano passado

 

XX – Saber o nome de uma vizinha

 

XXI – Fazer ao menos uma vez uma comida típica da cidade

 

XXII – Ter dançado ao menos uma vez na rua

 

XXIII – Falar mal da cidade, mas se alguém assim o fizer, defendê-la

 

 

Danielli Cavalcanti

Foto: Arquivo pessoal

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