Corpo migrante

Corpo anunciante

Sem abrir a boca, os braços ou pernas

Corpo denunciante

 

Corpo subversivo

Talvez seja por isso

Que uma de suas armas

Seja seu viço

 

Corpo reclamante

Da estação sem flor

Do odor do opressor

Possui status de intruso

Entre ficar, ir e voltar

É um corpo confuso

 

Corpo flagrante

De política omissa

Jaz no mar da injustiça

Corpo flutuante

Se todo viver é legítimo

Por que quem pede abrigo

Não encontra porto operante?

 

Corpo instigante

Sobre ele o olhar investigativo insinua

Fingindo calcular a distância pra lua

Ora ignora um elefante no elevador

Ora exerce um voyerismo avassalador

 

Corpo mareante

Salgado de saudade é sofredor

Azedo de indignação, questionador

Politicamente apimentado, desafiante

Adocicado, adaptado,  inocente

Ensosso de subserviência, plangente

Molhado de utopia, sonhador

 

Corpo pelejante

Sente como todo corpo lacrimante, inquietante, errante

Sonha como todo corpo carente, dissidente, fulgente

Deseja como todo corpo aspirante, delirante, mutante

 

Mas corpos não são iguais

Há diferenças brutais

Corpo negro, latino é migrante

Expat é corpo branco visitante

 

Corpo viajante

Carrega o mundo nas costas marítimas

Nos braços desérticos, nas pernas alpinistas

É a mais-valia ambulante

Seja indocumentado ou carimbado

É sempre um corpo distante

 

Mas todo corpo migrante

É acima de tudo

Um corpo flamante

 

Danielli Cavalcanti

 

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