Debaixo d’água ninguém precisa de documento

Debaixo d’água ninguém precisa de documento

Não há fronteira, não há tormento

Nenhuma autoridade é convocada

Quem vai, chega lá desapressada

O problema emerge quando alguém decide apraiar

E se for num local turístico, isto não vem a calhar

Imagina, estrear um biquíni novo na mesma areia

Na qual alguém jaz, na qual alguém rouba a nossa paz

Debaixo d’água os corpos são lamentosos

À beira mar, alguns se tornam famosos

Quem não se lembra do menininho

Dormindo eternamente como um anjinho?

Debaixo d’água, algumas vidas tenebrosas

Denunciam as políticas migratórias abominosas

Mas alguém escuta a sua súplica silenciosa?

E corpos jazendo sob uma fúnebre maresia

Ganham do fundo da praia a sua cidadania

Ontem, navios negreiros, corpos obreiros

Hoje, barcos migrantes, corpos globalizantes

Ontem e hoje, é o mar um lugar refrescante

Para determinadas pessoas, apenas sepultante

Danielli Cavalcanti

Foto: Escultura de Jason deCaires Tayor (Museu das Ilhas Canárias). Retirada da reportagem: A crise dos refugiados imortalizada para sempre no fundo do mar, de Suzana Camargo.

Reportagem da Amnistia Internacional “Desconstruir mitos sobre refugiados“.

 

Para apoiar barcos e navios voluntários no mar Mediterrâneo:

SOS Mediterranee

Humans before borders

Reportagem sobre um português e outras pessoas que ajudaram a salvar vidas no Mediterrâneo, através do barco da Ong Jugend rettet (jovens salvam) e que estao sendo acusados de violar a lei… por terem salvo vidas.

É também nesse mesmo mundo que vivemos. 😦

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