Que vento te trouxe para cá?

Esta é uma pergunta que, provavelmente, toda pessoa residente no exterior já respondeu. Com ela, muitas vezes, sobra curiosidade, faltando intimidade, sobra indiscrição, faltando sensibilidade. E seguindo um voyeurismo descarado, pode-se saber quase a vida todinha de alguém, mal sabendo seu nome.

Quando alguém me pergunta o porquê de eu ter vindo para cá, só me vem à mente a música de Alceu Valença: “foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar!” Mas como tesoura não cai bem na tradução, então canto que foi a bessoura do desejo, desejo mesmo de mudar.”

Coleciono respostas que já viraram até cartões postais do Café. Como a socioeconômica: vim assistir os avós do Norte para cuidar dos filhos do Sul;

A psicanalítica: só Freud explica;

A energética: queria tomar a bebida que dá asas, no país do seu inventor;

A culinária: enjoei de comer sal de mar e quis provar o da montanha;

A esportista: cansei de sol e quis surfar na neve;

A da música clássica: tinha insônia e queria escutar a pequena serenata noturna na terra dela;

A de perder o fôlego: vim só para sentar no banquinho que fica lá dentro do lago verde esmeralda da Estíria (Grüner See in Steiermark);

A resposta imperial: se a primeira imperatriz do Brasil foi uma austríaca, vim fazer história na terra dela também;

E a legendária resposta das bolas de Mozart. Uma historinha da autora dessa resposta conto já já.

Essas perguntas do porquê de se vir para cá e quando se voltará, dependendo de por quem, quando, como e onde são feitas, podem ser um veneno eficaz na destruição da autoestima. Há muito desse veneno sendo oferecido na bandeja como especialidade da casa. Já tomei tanto que até antídoto produzo.

 

 

P.S.: Este texto é parte do segundo capítulo do livro Flor de Linz.

P.P.S.: Uma versao dinamarquesa dele pode ler lida aqui!

P.S. do P.P.S.: Um participante da Comuniade Brasileira em Viena do Facebook me informou que o austríaco nao inventou o tal energético que dá asas, e sim foi inspirado em uma bebida chamada Krating Daeng, da Tailândia. 😉

#FlordeLinz

Foto: Jakob Owens

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